Em um gesto
aparentemente simbólico, parlamentares, governo e Anatel se entenderam sobre o
andamento das tratativas para deslocar emissoras de tevê e alojar as operadoras
móveis na faixa de 700 MHz. No que parece uma perfeita reunião política, todos
deixaram o encontro satisfeitos – ainda que com diferentes interpretações.
De um lado,
parlamentares da comissão de Ciência e Tecnologia deixaram o Ministério das
Comunicações confiantes de que a agência não vai avançar imediatamente no
‘cronograma’ – ou seja, não votará na próxima semana a destinação da faixa,
etapa burocrática para o edital de licitação dos 700 MHz.
“Não haverá
açodamento”, disse o deputado Jorge Bittar (PT-RJ). “Houve um compromisso de
que não haverá decisão sobre a destinação da faixa na próxima reunião da Anatel
e sobre o envolvimento da Câmara nas discussões”, comemorou a deputada Luiza
Erundina (PSB-SP).
De sua
parte, porém, a Anatel também manteve a convicção de que vai manter o ritmo.
“Vamos nos reunir novamente na próxima semana para discutir e, inclusive,
convidar os próprios radiodifusores”, disse o presidente da agência, João
Rezende. “Temos que ouvir o relator, que não estava presente”, completou.
Operador
nacional
Na prática,
existe uma razoável possibilidade de o tema não estar na reunião do Conselho
Diretor em 17/10 – exatamente porque ficou apalavrada uma reunião com deputados
e representantes das emissoras de televisão. Mas o adiamento deve ser breve,
segundo confidenciou um dos presentes à reunião.
O simbolismo
do movimento se deve ao fato de a ‘destinação’ da faixa de 700 MHz ser uma
decisão política tomada – o edital de oferta desse naco do espectro às teles
está em elaboração e o Minicom ainda espera realizar o leilão no primeiro
semestre do próximo ano.
Daí talvez o
principal ‘ganho’ dos parlamentares mais sensíveis ao tema tenha sido um ponto
aparentemente paralelo: um certo endosso do Ministério das Comunicações à
retomada do operador de rede nacional para as emissoras públicas.
“Como existe
uma questão no edital sobre os custos de realocar emissoras que terão que sair,
a ideia é que seja incluído aí o operador de rede. O ministro não apenas
concordou como explicou que um novo modelo permite reduzir o valor desse
operador para um terço do que estava estimado”, disse Erundina.
Em
princípio, o “novo plano” – a proposta em si existia ainda nas primeiras
tratativas da EBC sobre o tema – envolve a rede da Telebras como canal de
retorno e inclusive o aproveitamento de infraestruturas que a estatal já
dispõe, como as torres.
Nenhum comentário:
Postar um comentário